desbotando:

tudo me atinge.

absolutamente t u d o.

aquele vídeo na aula de relações pessoais sobre um cara que interagia, no interior da cidade, onde morava, com diversas pessoas, se fragmentando em incontáveis pedaços para ocupar o seu dia e tentar ganhar algum dinheiro.

ele andava pela rua em dias quentes, com um carrinho, e gritava “suco”, fazia bicos para prefeitura, no meio da tarde trocava a roupa e se vestia de palhaço apenas pra divertir as pessoas em seu caminho, à noite, estudava e quando chegava em casa vendia coisas em seu buteco, se ocupava o dia todo passando a impressão de ser feliz.

mas era triste.

o vídeo era pra motivar os jovens, de que os obstáculos não devem impedir ninguém de tentar crescer financeiramente.

mas eu só conseguia pensar no quão triste aquele quase-senhor se sentia aos 50 anos solitário.

como agora, que eu olho pro gramado da empresa que está sendo aparado por um senhor, cansado, agora sentado comendo seu almoço, sozinho, triste, velho e não consigo não pensar se ele é tão sozinho quanto aquele outro cara e não consigo não questionar quanta solidão há no mundo, e por que? por que tem que ser assim? por que algumas pessoas passam a vida inteira com outras pessoas em seu encalço, sempre rodeado de amigos, de companhias e outras passam a vida com poucos ou com quase ninguém. o que os difere?

o fato é que eu não consigo não ficar triste com tudo isso, coisas além de mim, fora do meu controle que não têm ligação comigo e eu me entristeço.

o que eu faço com tudo isso?

o que eu faço com essa angustia de olhar pro mundo ao meu redor e ver que a injustiça é tão presente quanto a dor?

como posso querer continuar viva quando essas coisas fora do meu controle me matam diariamente? não é escolha minha morrer um poquinho a cada dia, mas não posso evitar. não estando nesse mundo assim, não assim.

seu-bobo-da-corte:

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mycherriess:

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